Terça-feira, 18 de Junho de 2013

10 UMA MULHER DE SONHO de Blake Edwards


Depois de ver esta divertida comédia de Blake Edwards nunca mais ouvi o “Bolero” de Ravel da mesma maneira. Para quem se lembra, a boazona da Bo Derek (que teve o seu grande lançamento neste filme) só gostava de fazer o amor ao som do “Bolero”, com resultados hilariantes para o pobre Dudley Moore.

Moore era um compositor casado com Julie Andrews, que segundo me lembro canta pelo menos uma canção, que está a passar por um crise de idade. Quando vê a Bo Derek fica com todos os sentidos à alerta e faz tudo para a seduzir, incluindo persegui-la na sua lua-de-mel.

O filme tornou Dudley Moore numa estrela cómica, trouxe Julie Andrews de volta para a ribalta e afastou, durante uns anos, o realizador Blake Edwards da série da Pantera Cor-de-Rosa. Não sei se o filme continua a funcionar hoje em dia, mas na altura foi um grande sucesso e toda gente comprou o “Bolero”, o que quer dizer que sempre que se ouvia esta música, provavelmente alguém estava a fazer amor/sexo.

MISSÃO GALÁCTICA: CYLON ATACA de Vince Edwards e Christian I. Nyby II


Também em sensurround, estreou no Tivoli a sequela do BATTLESTAR GALÁCTICA. Confesso que não me lembro da história deste, mas mais tarde quando a série passou na nossa televisão, percebi que o filme mais não era que um episódio longo da mesma.

Do que eu me lembro é que o efeito sensurround era mesmo eficaz e que sentíamos que estávamos mesmo no espaço, no meio das lutas entre humanos e cylons. Pessoalmente, prefiro o sensurround ao 3D.

Domingo, 16 de Junho de 2013

TEATRO RÁPIDO JUNHO 2013: É PARA AMANHÃ

Este mês foi com algum receio que fui assistir às micro-peças do Teatro Rápido. A razão não tinha nada a ver com o tema escolhido para Junho, É PARA AMANHÃ (título de uma famosa canção de António Variações), mas sim pelo facto das sinopses das peças me terem deixado com a sensação que Ia ser um mês demasiado sério e intelectual para o meu gosto. Felizmente, os meus medos eram praticamente infundados e acabei por aprender três coisas: que a palavra (perdoem-me o seu uso) cona é excelente para quebrar silêncios, que Deus é quadrado e que, para chamarmos a atenção, em vez de andarmos devemos deslizar.

Que a Europa nos andar a lixar a todos não é novidade e em VOU DAR LUTA, na Sala 1, essa situação é representada literalmente. Um jovem em desgraça (Portugal) é amante de uma mulher mais velha e ambiciosa (Europa), entre os dois há erotismo e troca de palavras, mas pouco mais. O texto de Luís Mário Lopes não trás nada de novo ao assunto, arrastando-se numa série de lugares comuns sem grande interesse. Após uns longos segundos de silêncio, os actores Vítor Oliveira e Custódia Gallego fazem o melhor que podem com o texto que lhe deram; ele, com um brilho constante nos olhos, parece estar a adorar todos os segundos, ela torna a sua Europa uma mulher forte e sem remorsos.

Na Sala 2 espera-nos uma novidade. Em vez de uma peça de 15 minutos, temos 3 peças de 5 minutos. São elas A CAMISA, O VESTIDO E A JANELA, todas a partir de “Peças Amorosas” de André Murraças e todas interpretados pelo jovem Eduardo Molina, que é desde já uma das maiores revelações na história do TR. Não sei o que este actor fez antes, mas tenho a certeza que quero saber o que ele vai fazer a seguir. Com um perfeito “comic timming” e uma simpatia natural que facilmente conquista o público, ela conta-nos tudo sobre os buracos na sua camisa, da importância que um vestido branco tem para uma bailarina e revela um voyeurismo inquietante sobre tudo o que vê a partir da sua janela. O melhor momento é o da bailarina, que é verdadeiramente hilariante; mas tudo o resto é pleno de graça e tinha ficado de bom grado mais tempo na companhia de Molina a ouvi-lo contar mais histórias. Com uma cenografia simples e uma direcção sem falhas, é a melhor peça deste mês e uma das melhores na história do TR. Imperdível!

Um casal praticamente incapaz de comunicar entre si, em que o marido é especialista em deixar tudo para amanhã e a mulher é uma “bemzoca” que não faz nenhum, é o tema de AMANHÃ. Esta divertida peça da autoria de Frederico Pombares e Joana Gama, com uns diálogos muito bem conseguidos, de humor corrosivo e próximos da realidade, foi para mim uma agradável surpresa. A dar vida aos protagonistas temos dois convincentes actores, André Nunes e Vânia Maria. Ele é um irritante e arrogante menino rico, ela uma menina provinciana que virou fina. Juntos, Nunes e Maria, tornam as personagens reais, conseguindo ultrapassar a caricatura em que se podiam ter tornado. Uma boa e conseguida aposta em exibição na Sala 3 do TR.

Quem já me conhece, sabe que não sou muito dado a “contemporanices”, ou seja, tenho gostos convencionais e gosto muito de perceber o que estou a ver. O que me deixa numa situação difícil perante JBWB-900, a peça em exibição na Sala 4. Gostei do lado visual da mesma e achei que havia imensa química entre os actores João de Brito e Wagner Borges, mas não percebi a história, se é que havia alguma. Houve alturas em que eles me fizeram lembrar duplas cinematográficas como, em ofensa, o Bucha e Estica; o humor físico da peça fez-me lembrar esses filmes. Quanto à “história”, bem eles tanto podem ser estranhos, amigos ou mesmo amantes... ou talvez nada disso. Desculpem, gostei dos actores, mas não percebi o assunto. Foi aqui que aprendi que “Deus é quadrado”.

Ao contrário do que o tema do mês apregoa, não deixem para amanhã e vão a correr ao TR ver o programa do mês. Há apostas para todos os gostos e o grupo de actores que dão vida a todas as peças é todo ele talentoso. Pessoalmente recomendo os divertidos AMANHÃ e A CAMISA, O VESTIDO E A JANELA; esta última é já uma das minhas preferidas de todos os tempos e a interpretação de Eduardo Molina, que eu não conhecia de lado nenhum, foi uma agradável surpresa. Para Julho há mais, ou assim espero. 

Fotos © Mário Pires - www.ruadebaixo.com

Sábado, 15 de Junho de 2013

MESTRES DA ILUSÃO (Now You See Me) de Louis Leterrier


Quatro talentosos mágicos são contratos por um estranho, do qual nenhum sabe a identidade, para se juntarem e formarem um grupo, “Os Quatro Cavaleiros”. Em Las Vegas, durante um espectáculo de magia, eles conseguem roubar um banco em Paris e oferecem o dinheiro ao público. Este assalto coloca o FBI no seu encalce, bem como uma agente francesa da Interpol. Com a ajuda de um ex-mágico, especialista em desmascarar mágicos, eles tentam antecipar-se ao próximo golpe dos “Quatro Cavaleiros”.

Não sou um grande apreciador de espectáculos de magia, mas os deste filme são verdadeiramente espectaculares, mesmo depois de sabermos como alguns são feitos. Com um argumento interessante e pouco previsível, este thriller coloca-nos do lado dos mágicos e só desejamos que eles se consigam safar com os seus crimes. O FBI é mostrado como uma cambada de incompetentes e, apesar de o suspense não ser muito, desejamos que eles falhem todas as suas tentativas de desmascararem os mágicos.

Aqui não há propriamente um ou dois personagens principais, mas sim um trabalho de equipa interpretado por um elenco talentoso, em que cada elemento parece estar a fazer aquilo que sabe fazer melhor. É como se os personagens tivessem sido escritos com as personalidades destes actores em mente, resultando em interpretações convincentes de todos.

Acredito que os fãs de magia vão ficar extasiados com este filme. Eu não fiquei, mas diverti-me durante cerca de duas horas que parecem passar a correr e, coisa rara, fiquei genuinamente surpreendido com alguns acontecimentos. Classificação: 7 (de 1 a 10)


 

HYDE PARK EM HUDSON (Hyde Park on Hudson) de Roger Michell


EUA 1939. Daisy é uma prima distante do Presidente Franklin Roosevelt que se torna visita constante da sua casa de campo, acabando por se tornar sua amante. É nessa casa de campo que, num momento histórico, Roosevelt recebe a visita do Rei e da Rainha de Inglaterra, numa tentativa de criarem laços para combaterem numa nova guerra que se avizinha.

Quem diria que o Presidente Roosevelt (que imagino sempre a cantar o “Tomorrow” com a pequena órfã Annie) era um engatatão, capaz de seduzir várias mulheres e de manter relações longas com várias ao mesmo tempo. Bem, foi a parte que me apanhou de surpresa. Em termos históricos, também não sabia da história da visita da realeza inglesa à casa de Roosevelt. Portanto, sempre aprendi alguma coisa a ver este filme.

Quanto ao filme, a acção custa a arrancar e durante a primeira meia-hora não acontece praticamente nada. A partir do momento que chega a realeza inglesa, instala-se um humor bem construído e o filme ganha vida. Mas mais que os acontecimentos da história, o que interessa aqui é o trabalho dos actores e, nesse campo, não há nada de negativo a apontar. Laura Linney, umas das minhas actrizes preferidas, vai bem como a passiva Daisy e Bill Murray é um credível Roosevelt; a química entre os dois é palpável. Como o rei e a rainha de Inglaterra, Samuel West e Olívia Colman são perfeitos; também Olívia Williams vai muito bem como a informal Eleanor Roosevelt.

Um filme levezinho, um pouco bucólico, com um humor eficaz e um excelente elenco. Às vezes é o suficiente para um bocado bem passado. Classificação: 6 (de 1 a 10)


 

Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

ALÉM DA ESCURIDÃO: STAR TREK (Star Trek Into Darkness) de J. J. Abrams


John Harrison, um ex-membro da Starfleet, regressa do passado com o intuito de destruir a mesma. Após um ataque onde, entre outros, morre o Almirante Pike, um amigo de Kirk, este oferece-se para caçar John e assim vingar-se da morte de Pike. Uma vez mais ao comando da Enterprise, ele e a sua tripulação conseguem capturar John, mas nem tudo é o que parece e a vida de todos fica em perigo.

Quatro anos depois do filme que revitalizou a saga STAR TREK, o realizador J. J. Abrams volta à Enterprise para nos dar um emocionante e divertido filme de ficção científica. A grande vantagem de Abrams é que não transformou o STAR TREK num festival de efeitos especiais sem alma. Os efeitos estão cá e são de grande qualidade, mas a Abrams interessa-lhe mais a história e os personagens. Os efeitos servem estes e não ao contrário. O resultado prende-nos à cadeira do princípio ao fim, faz-nos temer pelo destino dos personagens e mantêm-nos entretidos por cerca de duas horas que passam num instante. O filme também vive de pequenos apontamentos, como por exemplo o deslizar de uma porta cujo som substitui a palavra “shit”.

Este novo STAR TREK tem em Khan (também conhecido por John Harrison) um vilão à antiga. O actor Benedict Cumbertach torna o seu Khan num louco “bigger than life”, sem coração, moral ou consciência... e eu a pensar que já não se faziam vilões assim! Como Kirk, Chris Pine continua arrogante, “maniento” e imprevisível; a seu lado Zachary Quinto é um irritantemente lógico e inexpressivo Spock. A química entre este dois actores é um dos corações do filme e dá azo a uma das sequências mais gay que vi até hoje num filme de ficção científica.

Como já devem ter percebido, recomendo este filme. É um bom exemplo de um género que este Verão vai estar em força nos nossos cinemas e só espero que os próximos títulos estejam à altura deste. Quanto a J. J. Abrams, é sem dúvida um realizador dotado para este tipo de filmes, daí achar que ele tenha sido a escolha certa para o próximo capítulo do STAR WARS. Classificação: 8 (de 1 a 10)


 

Sábado, 8 de Junho de 2013

THE MONKEY


Uma macaca humanizada discursa perante uma Academia de Ciências, contando a história que a levou da selva aos palcos do music-hall.

Baseado num texto de Franz Kafka intitulado “Um Discurso para uma Academia”, esta peça é uma comédia sobre a condição humana e sobre o conceito da liberdade. Dito assim parece que estamos perante uma daquelas “intelectualices” chatas, mas muito pelo contrário. Com uma encenação simples de John Mowat e um cenário praticamente despido, o que temos aqui é uma peça que flui sem quebras, onde o humor está sempre presente e que, praticamente a brincar, nos põe a pensar em coisas sérias, mas nunca caindo na moralidade.

 A dar vida a esta macaca temos uma espantosa Maria Vasconcelos. Esta jovem actriz é, infelizmente, um dos segredos mais bem guardados do teatro português. De uma versatilidade incrível, ela consegue criar uma empatia imediata com o público, que facilmente se rende ao seu enorme talento. Nesta peça ela é simplesmente genial, saltando espontaneamente do registo da macaca humana, sexy e snob, para o registo da macaca animalesca. A forma como ela interpreta este texto de Kafka é simplesmente notável!

Anteriormente, tive o prazer de ver Maria Vasconcelos como uma palhaça na peça infantil MI CASA ES TU CASA e como uma portuguesa por terras do Brasil em GAROTA PORTUGA PROCURA; em ambas as peças ela revelava ser uma actriz muito expressiva e de grande fisicalidade. Mas neste THE MONKEY ela transforma-se numa verdadeira estrela e só espero que o público tenha o prazer de a descobrir.

Adorei a hora que passei na presença desta grande actriz e aconselho vivamente a não perderem esta peça. Está em exibição num espaço teatral um bocadinho obscuro; chama-se Inimpetus e fica muito perto do Centro Comercial das Amoreiras. Que o facto de terem de entrar por uma garagem não vos assuste, pois lá dentro espera-vos um bom auditório. Por isso deixem-se seduzir pelo brilhante poster desenhado por Luís Covas e aceitem o convite para ver THE MONKEY, que eu acredito ser um dos momentos altos da temporada teatral!


Quinta-feira, 6 de Junho de 2013

O TRIÂNGULO DIABÓLICO DAS BERMUDAS de René Cardona Jr.


Há umas décadas atrás o famoso, pelas razões erradas, Triângulo das Bermudas era um mistério levado a sério. A realidade é que foram muitos os barcos e aviões que desapareceram sem deixar rasto nesta região e ainda hoje não há explicação para esses acontecimentos.  Supostamente a legendária cidade de Atlântida está submersa nesta parte do oceano. Entretanto parece que o assunto foi esquecido pelos media, até que recentemente descobriram o que parece ser uma pirâmide de cristal a vários metros de profundidade.

Tudo isto a propósito deste pequeno filme de terror que estreou entre nós em 1980 e ao qual a presença de John Huston dava alguma credibilidade. Realizado pelo mexicano René Cardona Jr., contava a história de um grupo de pessoas a bordo de um cruzeiro que têm o azar de passar pelo triângulo e coisas estranhas começam a acontecer. Pelo que me lembro, o filme seguia-se com interesse e, se a memória não me falha, tinha mais gore do que seria de esperar para um filme para maiores de 13 anos; tinha também uma bonece horrível que me deu arrepios.

O COSMONAUTA PERDIDO de Douglas Trumbull


Uma nave espacial com uma grande estufa, o cosmonauta que toma conta dela e uns robots que o ajudam nas suas tarefas. Quando o mandam destruir a estufa (já não me lembro porquê) ele passa-se e está decidido a defender a estufa a todo o custo.

Esta produção de 1972 só cá chegou em 1980, tentava captar o público do STAR WARS, mas na realidade era mais na linha do 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO (o responsável pelos efeitos especiais desse filme é o realizador deste COSMONAUTA). O filme arrastava-se e, segundo me recordo, parecia interminável.



Terça-feira, 4 de Junho de 2013

A RESSACA – PARTE III (The Hangover Part III) de Todd Phillips


Alan está pior que nunca e os seus amigos (Phil, Stu e Doug) decidem levá-lo para um centro de reabilitação. No caminho são abalroados por uns “maus” e Doug é raptado. Cabe aos outros três resgatá-lo, mas para isso têm que apanhar o terrível Mr. Chow, que acabou de fugir de uma prisão, para o trocarem por Doug.

Ao contrário dos outros dois títulos da série, desta vez a história não tem nada a ver com uma ressaca e nem com o que aconteceu enquanto estavam bêbados. Não, desta vez o protagonista é Mr. Chow e o trio de amigos são uma espécie de peões na sua mão. Infelizmente, esta mudança de registo não resulta em situações mais engraçadas, nem numa melhor comédia. Com excepção de uma ou duas cenas (Alan a cantar no funeral do pai e Alan a trocar um chupa-chupa com Cassie) pouco me ri a ver este filme. No fundo, apesar da mudança de registo, temos mais do mesmo e não há surpresas (excepção para a cena da canção no funeral) de qualquer espécie. O humor é muitas vezes de muito mau gosto, como a cena da girafa, e senti que a receita está esgotada.

Quanto ao elenco, o mais cómico continua a ser Zach Galifianakis como Alan. Como Phil, o giraço do Bradley Cooper não tem muito a que se agarrar e, como Stu, Ed Helms já não tem piada. Pode haver quem ache graça a Ken Jeong como Mr. Chow, pessoalmente acho-o irritante e não me faz rir. Curiosamente não desgostei de ver Melissa McCarthy como Cassie; a química entre ela e Galifianakis é evidente.

A questão é porque razão é que fui ver este filme, quando já achava que devia ser fraco. A resposta é simples, tinha alguma curiosidade de ver como acabava a saga (será que acaba mesmo aqui?) e ainda me diverti um bocado com os dois títulos anteriores. Bem, devia ter seguido o meu instinto e ter evitado ver esta parte 3, se bem que podia ser pior. Classificação: 3 (de 1 a 10)




Domingo, 2 de Junho de 2013

ESCURO


Quatro universitários chateados com a vida e sem vislumbrarem qualquer futuro possível, decidem fazer algo drástico para mudar o sistema que os asfixia. Assim, durante uma festa da universidade, raptam um finalista e uma caloira, a que eles chamam alvos, e recorrendo à violência fazem deles um exemplo.

Tal como o título indica, o tema é negro, muito negro. O texto de Marcantonio Del Carlo retrata a realidade de uma geração que se vê sem futuro e que não sabe muito bem o que fazer com as suas vidas. Estes estudantes estão fartos de tudo e de todos, até deles próprios e precisam de algo que os faça sentir vivos, mesmo que isso seja um acto violento que nada vai mudar. Numa época de redes sociais, o importante é fazer qualquer coisa que os outros cometem e o seu sucesso mede-se pelo número de comentários e “likes”. A actualidade passa por aqui e é assustadora.

Em termos de encenação, também de Marcantonio Del Carlo, acho que a peça podia ser melhor. A presença dos “narradores” era dispensável e acaba por cortar um bocado a acção que acaba por se arrastar sem necessidade A ideia é forte, mas cadeiras e garrafas que se movimentam sem razão aparente acabam por nos distrair. Por outro lado gostei bastante das mudanças de cena, que achei eficazes e me puseram a pensar como é que os actores se movimentam no escuro sem embaterem em nada.

No elenco destacam-se quatro actores. Como João, o cérebro por detrás da ideia, Miguel Ponte é sexy, malévolo, sedutor, manipulador e louco; parece muita coisa para um homem só, mas ele dá conta do recado. A ajudá-lo a pôr a ideia em prática ele tem uma maquiavélica Raquel Martins como Maria (acho que era este o nome da personagem); o seu olhar penetrante nunca nos faz duvidar das suas intenções. Amadeu Mendes convence como o finalista-alvo, um jovem frágil resignado com o seu destino; existe uma química entre ele e Miguel Ponte que parece esconder uma possível atracção (ou então é a minha imaginação gay a trabalhar) que não agrada às parceiras deste último. Como a caloira-alvo, Ana Luísa PInto é extremamente realista, fazendo-nos acreditar na sua dor e no seu medo; os seus gritos finais são verdadeiramente assustadores.

Até agora nunca tinha visto nenhuma peça de teatro universitário e, apesar de algumas falhas, fiquei surpreendido pelo positiva. É verdade, podia ser melhor; mas o resultado final é mais interessante que muita coisa dita profissional que por cá se faz. 

Para mais informações sobre a peça e horários visitem http://oartec.blogspot.pt/


Sábado, 1 de Junho de 2013

QUARTETO (Quartet) de Dustin Hoffman


Um lar de terceira idade para músicos está em crise económica e necessita de montar um concerto com o fim de angariar fundos para poder continuar aberto. Entretanto, uma grande diva da ópera chega ao lar e cabe a três velhos amigos convencê-la a tomar parte no concerto.

Para a sua estreia oficial como realizador, Dustin Hoffman escolheu uma história humana e comovente sobre a terceira idade e a amizade. Ele dirige o filme com um apurado sentido de humor, não cede a lamechices e demonstra um grande respeito pelos actores. É curioso o facto de Hoffman ter escolhido uma produção inglesa para a sua estreia, mas este é o tipo de história que só se consegue imaginar com actores ingleses.

Maggie Smith é perfeita como a diva e, como os seus amigos, Tom Courtenay, Billy Connoly e Pauline Collins são todos excelentes. Michael Gambon também vai muito bem como o irritante “ditador” responsável pelo concerto e a mais jovem Sheridan Smith é convincente como a médica responsável pelo lar. As restantes personagens são interpretadas por velhos artistas, que tornam tudo muito mais real.

Pessoalmente gosto muito de pequenos filmes como este, que vivem da história e dos actores. Podem chamar-me velho, mas estou cada vez mais cansado de comédias estúpidas e de filmes de acção alucinante. Esta comédia é, sem dúvida, refrescante. Classificação: 7 (de 1 a 10)